As palavras produzem efeitos, mas não reparo na sua assiduidade. Quase sempre me surpreendo com coisas simples e por alguns instantes ponho a culpa na poesia que carrego. Acredite ou não, é um fenômeno psicológico que não consigo explicar. E, contudo a minha suscetibilidade extrema me obriga a dispor uma delicada atenção aos fatos. É natural que eu fale com animação e entusiasmo, gosto das flores da vida. Mas, nesse caso não há flexibilidade preciso parar com expectativas, guardar a flor na alma, é necessário. Antes cair das nuvens, do que de um terceiro andar.
“– O amor purifica e dá sempre um novo encanto ao prazer. Há mulheres que amam toda vida; e o seu coração, em vez de gastar-se e envelhecer, remoça como a natureza quando volta à primavera.” (Lucíola, José de Alencar)
Gosto dos capítulos poéticos são meu fraco. E esta reflexão, - uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, - me consola do mal de mim mesma. Sinto em mim um eco delicioso... Ao gritar a palavra amor, ouço de volta o seu nome. Trago um drama notável em minhas palavras, exagero imperial. Não importa, do meu coração á dentro tem um mundo infinito, um mundo eterno, superior, excepcional, nosso, somente nosso, sem leis, sem intuições, sem olheiros, nem escutas, um só mundo, onde só cabe eu e você em uma só vida, uma só vontade, um só amor. Não me entenda como possesiva ou dominadora absoluta, apenas me empolguei.
Ora, mas que concepção mesquinha, não a empolgação em massa, isso é fruto de um amor quente e vivo que sinto dentro de mim. Nunca me senti assim e fico em êxtase quando ele pulsa. O que há entre a vida e a morte? Uma curta ponte. Quando me falta o ar, quando as dores tomam conta do meu corpo, parece absurdo, mas, sinto vontade de viver. Não sigo meus próprios conselhos como posso distribuir uma simpatia especifica para cada ser que aparece na minha vida? Começo a ficar patética e prefiro dormir.
Escrevo as minhas memórias. Lucíola é um livro forte, com uma personagem incrível, às vezes até real, típico de ficção urbana, promovendo uma crítica dos costumes do rio de janeiro no segundo império, diante de um passado de prostituição ela encontra seu verdadeiro amor e contudo, ele será capaz de esquecer tais marcas e aceita-la como um presente em suas mãos? Leitura indicada.