Quando falta o ar, quando o pulmão dói, quando a sensação é de estar morrendo afogada, minha maior vontade é viver, viver e seja lá do jeito que for. Só quero me sentir viva. Não deixo (nem posso) que isso me vença, que isso seja maior, que cresça. Nunca me neguei as dores que sinto, só que hoje estão cada vez piores, minha cabeça vai explodir em segundos. Em um mundo onde sua maioria briga por poder, eu grito por oxigênio, (parece que de fato, ele não vai muito com a minha cara) eu também não queria precisa-lo tanto, mas meu corpo cobra isso e não respeita as minhas vontades. Aliás, nunca respeitou. Não há um só dia que eu não sinta dor, seja aqui ou aculá, eu só não preciso gritar que isso é uma verdade em mim, ja basta a sensação de inferioridade que isso me passa. E porque agora to aqui falando nisso? Alguém me explica, faz favor. Uma total contradição, meu colega. Porque se eu não me levantar daqui agora e ir preparar uma nebulização é bem capaz que eu morra, sentada e confortável nesse sofá verde lodo com almofadas vermelhas.
Talvez sim pelo simples fato de que esse blog a uns dias se tornou um especie de refúgio, assim como meu namorado, meus livros antigos, as poesias de lord byron, a bíblia, o céu, as aulas de teatro, os alunos queridos que me recebem com um abraço. Agora me diga o que esta acontecendo? - Uma simples menina numa fase não consumada de depressão pós falta de ar. É, é isso. Ou não. Eu só estou cada dia mais cansada disso tudo, de ver meu namorado sendo meu enfermeiro, com uma carinha triste, se sentido impotente diante de mim e mesmo eu dizendo que não é, pedindo como criança pra que ele me cure, pelo menos por segundos, recebo em troca uma mão quente cheia de vida me dando forças e amor. Eu juro diante de toda fortuna do universo, ouros, diamantes, carros e luxo que não os preciso, só o abraço dele me basta e todo dia é uma prova de amor gritante que recebo, seja com um simples olhar querendo me tirar as dores, seja com um sorriso, com o silêncio, ou a simples ação de levar minha bolsa pesada nas costas (minha mãe diz que carrego uns quarenta quilos dentro dela) Agora imagina, um cara que leva esses quarenta quilos nas costas + uma namorada doente + Um projeto de encenação da faculdade + Um trabalho que estar por vir + Sol + Chuva + + +. Nem preciso dizer mais nada. Sinto muito, mas não vou desistir. Frágil como uma criança récem nascida e com a força de um leão levanto pra preparar a nebulização.


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