domingo, 1 de maio de 2011

Enfim. (a pedidos)

Ele e ela. Em um abraço que não cabia terceiros. A cena era verdadeira, concreta e se fez eterna em segundos iluminada pelo brilho da lua. As dores e o sofrimento calaram-se por alguns minutos. O tempo parecia parar. Aos olhos de um artista aquele era o momento certo para uma escultura da verdadeira face do amor. Com compaixão, ele parecia sustentar sua amada como se tivesse pleno domínio de sua vida. Sentia-se protegida. Se houvesse mesmo o momento certo para morrer, aquele era o adequado, apropriado, oportuno pensou ela. Em particular penso que não. Todos exceto um só, aquele. À noite e seu silêncio ensurdecedor foram quebrados ao percebê-la distante, remota, longínqua.
- No que você está pensando? – disse ele olhando-a nos olhos.
A resposta não foi imediata, ela encheu-se de forças e respirou em estado de êxtase, tornando-se viva, intensa, parecia segura acima de tudo, ele a amou ainda mais.
- Em tudo e em nada. Não consigo ordenar o que sinto, o que penso, o que falo ou faço quando estou com você Leandro.
Ele a olhou com alívio, aquele quarto de hospital era o cenário perfeito e o mundo um palco extraordinário, excepcional, magnânimo para declarar-se sem medo. Não hesitou.
- Beija-me Lia, beija-me somente. Agora posso te confessar sem receio, nesta hora não se mente. Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te amei por séculos nestes poucos dias na terra. Agora que tua vida se encontra por instantes, amo-te em cada momento por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com todas as afeições que se pode ter neste mundo e vou te amar por toda vida, por toda eternidade.
Ela sorriu. E sentado á beira da cama com os lábios sofre a mão gélida e já sem vida da mulher da sua vida, as lágrimas caíram.

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