- Tudo dará certo, repetiu a si mesma.
Considerando que em geral era tão estável emocionalmente, estava tendo muito trabalho com sua raiva e preferiu não ouvir mais nada.
- Nunca fiquei tão brava e nervosa! – gritou ela. Jogando a mochila no canto da parede. Sentou-se no chão gélido, frio e sólido, percebeu facilmente a troca de calor intensa quando o mundo se fez-se um vácuo. São mais tristes tais frases que os lamentos.
- Está bem, respire fundo – disse a si mesma, com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça nas mãos, inspirou lentamente, contou até dez, e então expirou pesadamente.
Durante todo o caminho de volta para casa, havia tentado pensar em outra explicação para tanta desconfiança e medo, não conseguia admitir um mero automatismo. Talvez pelo fato de já ter se machucado em outro relacionamento ou pior, o problema sou eu, pensou por um segundo. Mas ele havia falado em amor e amor é algo forte e requer responsabilidades ao ser assumido.
- Ele não confia em mim! – exclamou indignada, levantando-se e atravessando o cômodo. De certo se ficasse parada explodiria. Talvez naquele momento só um café e um bom livro poderia curá-la e torná-la digna de paz. Depois de tudo o que já sofreu por amor não conseguia admitir tanta lágrima e vulnerabilidade.
O celular alarmou com sinal de mensagem e encarando a si mesma com um sorriso erudito e distindo decidiu não ler.
– Você não merece os sacrifícios que lhe faço!

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